quarta-feira, 31 de julho de 2013

3º BIMESTRE

A GEOGRAFIA DAS POPULAÇÕES – 3º BIMESTRE

Situação de aprendizagem 1: Demografia e fragmentação

Estado, Nação, Território e país
Para a compreensão de alguns aspectos da relação entre países é de suma importância dominar os conceitos de Estado, Nação, Território e País. Somente a partir da percepção desses conceitos é que podem ficar claros as decisões tomadas por grandes líderes mundiais e ações referentes a política internacional.
ESTADO é a forma como a sociedade se organiza politicamente. É o conjunto das instituições governamentais que organizam e administram uma determinada sociedade.
No Brasil esta organização política está dividida em três poderes que funcionam regulados pela Constituição Federal. São eles: a) Executivo; b) Legislativo e; c) Judiciário.
A NAÇÃO é constituída por um “coletivo humano” com características comuns (idioma, tradições, costumes, religião) e ligados por laços históricos, étnicos  e culturais .
O TERRITÓRIO é a base física na qual um Estado exerce sua autoridade. Um território é delimitado por fronteiras políticas. O território de um país é formado pelo solo continental e insular (cercado de águas, como uma ilha), o subsolo, o espaço aéreo e o território marítimo.
Podemos definir PAÍS como um território politicamente delimitado por fronteiras com unidade político administrativa (Estado), habitado por uma comunidade (nação)  com história própria. 
Normalmente, todo país tem um Estado constituído. Nessas condições o chamamos de ESTADO-NAÇÃO. Mas há situações onde uma Nação não possui um Território, sequer um Estado. É o caso dos judeus antes de 1949, dos curdos e dos tibetanos atualmente.
Além dessa circunstância, também é conhecido o caso onde um Estado-nação abrange vários países, como é o caso do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales).

TEORIAS DEMOGRÁFICAS

Todos os seres vivos aumentam de tamanho desde o seu nascimento até atingirem as dimensões máximas características de cada espécie, que dependem igualmente das condições ambientais. É a esse processo de aumento natural de tamanho que se chama crescimento individual.
Em ecologia chama-se crescimento populacional ao aumento do número de indivíduos de uma espécie que vivem em determinado habitat. Este processo é estudado pela dinâmica das populações.
Nossa população está em explosão demográfica desde a revolução industrial que começou na Inglaterra no século XVII por volta de 1650. Veja como é essa progressão geométrica:
4 a 5 bilhões de pessoas entre 1975 a 1985 – 10 anos se passaram.
5 a 6 bilhões de pessoas entre 1985 a 1993 – 8 anos se passaram.
6 a 7 bilhões de pessoas entre 1993 a 1999 – 6 anos se passaram.
A projeção indica que a população humana estará crescendo de 1 bilhão de pessoas a mais por ano
.
É necessário rever as políticas de controle da natalidade em todos os países do mundo. Não é justo deixar a população humana sem controle algum na natalidade e prosseguir na explosão demográfica até a extinção Malthusiana, a morte por fome e destruição total do ambiente, com o aquecimento global e guerras entre os povos tentando sobreviver até às custas do canibalismo.
É necessário desvincular o controle da n
atalidade humana de conceitos estritamente religiosos e passar a proceder nessa realidade de forma mais científica, médica, ecológica e racional. Senão as conseqüências serão cada vez mais agravadas até finalmente a constatação na prática de que a Teoria Populacional Malthusiana é especialmente válida e correta.

O crescimento da população foi, explicado a partir de teorias. Vejamos algumas
Teoria de Malthus

Em 1798, Malthus publicou uma teoria demográfica que apresenta basicamente dois postulados:
- A população, se não ocorrerem guerras, epidemias, desastres naturais, tenderia a duplicar a cada 25 anos. Ela cresceria, portanto, em progressão geométrica.
- O crescimento da produção de alimentos ocorreria apenas em progressão aritmética e possuiria em limite de produção, por depender de um fator fixo: o próprio limite territorial dos continentes.
Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional seria mais acelerado que o ritmo de crescimento da produção alimentar. Previa ainda que um dia estariam esgotadas as possibilidades de aumento da área cultivada. A conseqüência seria a fome, a falta de alimentos para abastecer as necessidades de consumo do planeta.
Hoje, sabe-se que suas previsões não se concretizaram: a população do planeta não duplicou a cada 25 anos e a produção de alimentos cresceu no mesmo ritmo do desenvolvimento tecnológico. Os erros dessa previsão é que Malthus tirou suas conclusões a partir da observação do comportamento demográfico em uma região limitada. Não previu os efeitos decorrentes da urbanização na evolução demográfica e do progresso tecnológico aplicado a agricultura.
A fome que castiga mais da metade da população mundial é resultado da má distribuição, e não da carência na produção de alimentos. A fome existe porque as pessoas não possuem o dinheiro necessário para suprir suas necessidades básicas.

Teoria de neomalthusiana

Foi realizada uma conferencia de paz em 1945, em São Francisco, que deu origem a Organização das nações Unidas. Foram discutidas estratégias de desenvolvimento, visando evitar a eclosão se um novo conflito militar em escala mundial.
Mas havia um ponto de consenso entre os participantes: a paz depende da harmonia entre os povos e, portanto, da diminuição das desigualdades econômicas no planeta.
Passaram a propor amplas reformas nas relações econômicas, é óbvio, diminuíram as vantagens comerciais e, portanto, o fluxo de capitais e a evasão de divisas dos países subdesenvolvidos em direção ao caixa dos países desenvolvidos.
Foi criada a teoria demográfica neomalthusiana, ela é defendida pelos países desenvolvidos e pelas elites dos países subdesenvolvidos, para se esquivarem das questões econômicas. Segundo essa teoria, uma população jovem numerosa, necessita de grandes investimentos sociais em educação e saúde. Com isso, diminuem os investimentos produtivos nos setores agrícolas e industriais, o que impede o pleno desenvolvimento das atividades econômicas e, portanto, da melhoria das condições de vida da população.
Segundo os neomalthusianos, quanto maior o numero de habitantes de um país, menor a renda per capita e a disponibilidade de capital a ser distribuído pelos agentes econômicos.
Ela passa, então, a propor programas de controle de natalidade nos países subdesenvolvidos e a disseminação da utilização de métodos anticoncepcionais. É uma tentativa de encobertar os efeitos devastadores dos baixos salários e das péssimas condições de vida que vigoram nos países subdesenvolvidos a partir de uma argumentação demográfica.

Teoria reformista

Nessa teoria uma população jovem numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é causa, mas conseqüência do subdesenvolvimento. Em países desenvolvidos, onde o padrão de vida da população é elevado, o controle da natalidade ocorreu paralelamente a melhoria da qualidade de vida da população e espontaneamente, de uma geração para outra.
É necessário o enfrentamento, em primeiro lugar, das questões sociais e econômicas para que a dinâmica demográfica entre em equilíbrio.
Para os defensores dessa corrente, a tendência de controle espontâneo da natalidade é facilmente verificável ao se comparar a taxa de natalidade entre as famílias brasileiras de classe baixa e as de classe média. Á medida que as famílias obtém condições dignas de vida, tendem a diminuir o números de filhos para não comprometer o acesso de seus dependentes aos sistemas de educação e saúde.

Distribuição da população mundial
- A distribuição da população não é homogênea;- Cerca de 85% da população mundial oeste no hemisfério norte;- Aproximadamente 75% habita entre paralelos 20º e 60º;- Os continentes mais povoados são: Europa e Ásia;- A partir dos 40º de latitude sul quase não existe população;- Na superfície da Terra encontramos áreas:
* Repulsivas (vazios humanos) - condições que afastamos seres humanos;[
Exemplos: Desertos quentes (Sara, Góbi, Namíbia); Desertos frios (Alasca, Sibéria, Antártida); Densas florestas(Amazônia).
*Atrativas (concentrações humanas) – condições físicas ou naturais que atraem a população.[Exemplos: Nordeste dos EUA; Ásia Meridional ou do Sudoeste; Toda a Europa.]
Fatores que condicionam a distribuição da população:  Humanas, Físicas ou Naturais:
• Áreas urbanas;• Regiões industriais• Locais de origem das antigas civilizações;• Proximidade das vias de comunicação e de transporte;• Imigrações.• Clima;• Relevo;• Vegetação;• Qualidade dos solos;• Recursos do subsolo;• Resistência de água.
A evolução da população mundial
A diminuição do crescimento da população mundial deve-se ao comportamento da taxa de natalidade nos países mais pobres.Nos países desenvolvidos a taxa de natalidade é tão baixa que a maioria dos países encontra-se envelhecida. Nesta situação encontra-se Portugal que em 2008 já não conseguiu renovar as gerações, teve um crescimento natural negativo, ou seja, morreram mais pessoas do que nasceram.
Tradicionalmente, costuma-se dizer que as áreas são ecumênicas quando apresentam condições naturais favoráveis à ocupação humana (como os climas temperados oceânicos, as planícies aluvionais, os solos férteis) e áreas anecumênicas, as que dificultam a ocupação humana (exs: desertos, pólos).
Entretanto, a distribuição desigual da população terrestre deve-se menos aos fatores naturais e mais aos históricos e econômicos, na medida em que, se valorizando uma determinada área que atrai mais população, ela se torna mais populosa que outra. Alem disso, a modernização acarretada pela Revolução tecnocientífica está superando as dificuldades físicas do planeta, está criando novas formas de transportes que facilitam a conquista de novos espaços.
Mesmo tecendo estas considerações, vamos levar em conta os fatores naturais, histórico-culturais e econômicos que condicionam a irregularidade da distribuição da população na Terra.
Condições naturais: relevo, hidrografia, clima, vegetação e solos.
a) Relevo - as planícies contém cerca de 55% da população mundial, especialmente as aluvionais formadas pelo transporte e sedimentação no curso inferior dos rios. Já os planaltos apresentam cerca de 48% do contingente demográfico mundial.
Na América Andina, excepcionalmente, os planaltos são mais povoados que as planícies costeiras (geralmente estreitas e comprimidas entre os Andes e o mar) e o lado oriental (dominado pelo clima equatorial e a Floresta Amazônica, cuja temperatura, umidade dificultam ação humana).
Hidrografia - os rios representaram um fator de sedentariedade dos povos primitivos. No Egito, o Nilo transporta sedimentos para o seu médio e baixo curso, no deserto do Saara, tornando suas margens agricultáveis, desde os tempos dos faraós, no Indo e Ganges. Os solos aluvionais e o clima monçônico favorecem a rizicultura submersa no sul e sudeste da Ásia, que é um "formigueiro humano", tal a quantidade de sua população.
Outro exemplo é o do rio S. Francisco, que poderia acabar com a "indústria da seca" no Sertão semi-árido do nordeste do Brasil.
Os rios, especialmente os de planície (os de planaltos, através de eclusas), podem servir como um meio de transporte hidroviário, que é o mais barato, pois carrega mais mercadorias e consome menos energia (seus custos são praticamente o de carga e descarga dos produtos.
Os rios de planalto fornecem energia hidrelétrica, devido aos desníveis do seu leito e à forte correnteza. As populações ribeirinhas dos países subdesenvolvidos retiram dos rios parte do seu sustento, através da pesca.
Por todos essas influências dos rios na organização do espaço, eles representam um elemento de atração de população.
Clima - mesmo com os avanços tecnológicos da atualidade os climas polares e os desérticos apresentam enormes dificuldades à ocupação humana. Assim, exemplificando, a Antártida é desabitada; o Saara é pouco maior que o Brasil, mas com apenas 10 milhões de habitantes (concentrados nos oásis).
As Zonas Térmicas que apresentam a maior porcentagem da população mundial são a Temperada do Norte (em face de ser a área mais industrializada e urbanizada da Terra) e a Intertropical.
Vegetação - as florestas equatoriais devido ao fato de serem muito biodiversificadas e densas, desfavorecem a ocupação humana. Uma demonstração dessa influência: na Amazônia a população é ribeirinha para facilitar o acesso com outras comunidades; a Região norte do Brasil significa 45,44% da superfície do país, mas apenas 7% da sua população absoluta.
As florestas de médias latitudes, por serem mais homogêneas, favorecem a vida do homem e são as mais devastadas da Terra, embora a industrialização e urbanização tenham contribuído enormemente para tal.
Solos - os naturalmente férteis, como a terra-roxa do SE do Brasil, o massapê na Zona da Mata do nordeste do Brasil ou os solos de campos, atraíram colonizadores europeus. Entretanto, mesmo não sendo fértil o solo, o Estado pode elaborar políticas de ocupação e daí a necessidade de aplicação de investimentos, a fim de melhorar sua qualidade. O solo de cerrados do Brasil foi corrigida a sua acidez pela técnica da calagem, tornando o Centro-Oeste uma área grande produtora de grãos e mais povoada que há 30 anos. Israel transformou suas terras áridas em solo agricultável em face da necessidade da presença muito grande de imigrantes, especialmente provenientes da antiga União Soviética.
A proximidade do mar também influi na distribuição da população ora por causa do processo de colonização, ora pela facilidade de comércio, ora pela presença de planícies costeiras.
Condicionamentos histórico-culturais:
O processo de integração territorial de um país leva geralmente o Estado a patrocinar ou estimular a ocupação de áreas mesmo naturalmente inóspitas, como aconteceu com o Império Russo com a ocupação da Sibéria extremamente fria já antes do século XIX. O governo brasileiro,durante a ditadura militar, estimulou a conquista do Centro-Oeste e da Amazônia com incentivos fiscais e creditícios a projetos agropastoris e construindo rodovias.
A Europa Ocidental apresenta uma densidade demográfica elevada devido à Revolução Industrial e ao seu processo antigo de povoamento. A área litorânea do Brasil concentra 82% da sua população absoluta em face do processo de colonização do litoral para o interior, já que o nosso país foi uma colônia de exploração e sua produção era voltada totalmente para o mercado externo. A costa L dos EUA (especialmente o NE), a Ásia Monçônica e o centro-oeste da Europa foram as primeiras a serem povoadas, daí possuírem muita população relativa.
Condicionamentos econômicos :
As atividades econômicas exercem papel importante na organização do espaço geográfico.No entanto, o trabalho humano se diversifica conforme o tipo de atividade econômica e assim vai precisar de mais ou menos força de trabalho para organizar o espaço, de acordo com sua evolução técnica. Deste modo, a agricultura mecanizada exige pouca mão-de-obra, promovendo uma baixa população relativa onde é praticada. Por outro lado, a Ásia Monçônica, porém, apresenta 50% da população mundial em face, sobretudo, de sua agricultura intensiva de subsistência,a rizicultura submersa, que exige numerosa mão-de-obra, ocupando não só as planícies aluviais como até as encostas montanhosas, através da construção de terraços.
Podemos colocar a seguinte sequência decrescente na distribuição da população:
-  áreas industriais (mais povoadas)
- áreas agrícolas de criação de gado de extrativismo de pastoreio nômade (menos povoadas).
Conceitos demográficos fundamentais
A demografia sempre foi alvo de estudos e preocupações por parte de diferentes especialistas e interessados no assunto. Em virtude de seu caráter dinâmico, à medida que a população vai sofrendo transformações quantitativas, os problemas e as contradições sócio-econômicas vão se tornando cada vez mais agudos e evidentes.
Na tentativa de equacionar tais problemas e contradições, os detentores do poder lançam mão de estudos e proposições que nem sempre atingem seus objetivos. De qualquer forma, os estudos e análises oferecem instrumental teórico aos dirigentes para que sejam tomadas medidas de ordem prática. Só que a natureza dessas medidas variam em função de diversos interesses (políticos, econômicos etc.).
Para facilitar a compreensão dos vários aspectos demográficos, vejamos alguns conceitos fundamentais a esse respeito.
População absoluta. É o número total de habitantes de um lugar (país, cidade etc.).
Densidade demográfica. É o número (a média) de habitantes por km2. Para obtê-la basta dividir a população absoluta pela área da região analisada (país, cidade etc.).
Densidade e superpovoamento. Uma áreas densamente povoada não é necessariamente superpovoada; isso porque o conceito de superpovoamento não diz respeito apenas ao número de habitantes por km2, mas também se refere ao nível de desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico da população em relação à área ocupada. Nesse caso, ocorre superpovoamento quando há descompasso do ponto de vista das condições sócio-econômicas da população em relação à área ocupada. A Holanda, por exemplo, é um país densamente povoado (434 hab/km2) mas não é superpovoado (a população desfruta de alto padrão de vida em um espaço muito pequeno), ao passo que países como a Índia (247 hab/km2) e Bangladesh (740 hab/km2) são superpovoados. O superpovoamento é portanto relativo.
Recenseamento ou censo demográfico. É o levantamento ou a coleta periódica dos dados estatísticos (como nascimento, óbitos, população absoluta, casamento, migrações) da população de um país, cidade etc. Sua importância ;é fundamental para melhor conhecimento dos vários aspectos demográficos, bem como para fins de investimentos, planejamentos, projeções futuras e outras finalidades. No Brasil são realizados de 10 em 10 anos.
Taxa de fecundidade
A taxa de fecundidade humana é a média de filhos por mulher em idade fértil, dos l5 aos cerca de 45 anos - nos países desenvolvidos é de l,5; nos pobres é de 6-7. Quando chega a 2 ocorre uma estabilização populacional. Quando diminui a fecundidade, também decresce a mortalidade infantil.
A taxa de natalidade  - representa o quociente do no de nascimentos vivos por ano ( x 1.000) pela população absoluta (TN= nv x 1.000 pa). Essa taxa revela o desenvolvimento do país: nos países centrais é de 5‰, nos países periféricos é de 31‰. Deve-se isto ao fato de que nos países subdesenvolvidos há mais população jovem, com maior taxa de fertilidade humana e consequentemente com maior número de nascimentos vivos.
Taxa de mortalidade. É a relação entre o número de óbitos ocorridos em um ano e o número de habitantes (mortalidade geral). A taxa de mortalidade se relaciona aos óbitos ocorridos em um ano e pode ser matematicamente assim: óbito/ano x 1.000/ pa (população absoluta). Quanto menor a taxa de mortalidade, maior a expectativa de vida. As taxas de mortalidade infantil são muito elevadas nos países pobres, já que são demonstrativas das suas condições deficientes de alimentação, de atendimento médico-hospitalar, de saneamento básico. A TM é a primeira a mudar, depois a TN.
Natimortos não são computados estatisticamente, escondendo, pois, as condições de alimentação e de assistência médica às gestantes durante a gravidez e o parto. A mortalidade infantil pode ser precoce ou neonatal (até 28 dias de vida, devido a condições higiênicas de parto, deficiências congênitas, de saneamento básico e médico-hospitalares) e pós-neonatal (de 1 a 12 meses, em face da pobreza e condições de subnutrição e de doenças infectocontagiosas a que estiverem sujeitos os bebês).
A mortalidade, no cômputo geral da população, nos países ricos deve-se mais a doenças senis ou de velhice (maior esperança de vida), enquanto nos países pobres está ligada às deficientes condições de alimentação, de saneamento básico e de atendimento médico-hospitalar.
Crescimento vegetativo ou natural. Representa a diferença entre as taxas de natalidade e a de mortalidade. O crescimento vegetativo pode ser: a) positivo, quando superior a 0 (CV= TN - TM=>0) e b) negativo ou de reposição (quando £ 0, típico dos países altamente industrializados europeus com população envelhecida). Os países periféricos mais pobres, também denominados PMD (países menos desenvolvidos) da África subsaariana, do Extremo Oriente e Sudeste da Ásia, são os que apresentam as maiores taxas de crescimento vegetativo, assinaladas em % (entre 3 e 4%)
O crescimento demográfico ou total é o resultado do crescimento vegetativo, acrescido do contingente imigratório e subtraído do emigratório (cd= cv + imigração e - emigração).
Transição demográfica
A transição demográfica é uma teoria surgida em 1929, para explicar a tendência da população mundial a se equilibrar, na medida em que diminuem as taxas de natalidade e de mortalidade.
Toda e qualquer transição significa uma mudança ou passagem de um período para outro. Deste modo, a transição demográfica representa a passagem de um período primitivo ou pré-industrial (em que as taxas de natalidade (TN) e mortalidade (TM) são elevadas, embora o crescimento vegetativo seja baixo) para um período atual ou evoluído (com baixas TN, TM e CV, sendo este último inferior a 1%). Esta passagem ou transição demográfica se efetua em duas fases: a primeira, em que a TN permanece alta, mas a TM começa a diminuir (daí o CV ser muito alto); a segunda, em que a TN também começa a diminuir.
Os países desenvolvidos todos já completaram todos os ciclos de transição demográfica, ocorrendo a estabilização de sua população no período atual, como, por exemplo, os países europeus (desde l920) e os da América Anglo-Saxônica(na década de 40) e Japão (imediatamente após a II Guerra Mundial). A quase generalidade dos países subdesenvolvidos está na segunda fase de transição demográfica (em que o CV está diminuindo); os PMD- países menos desenvolvidos ou "bolsões de pobreza (do Sahel, SE e L da Ásia e l da A.Latina e Oceania),porém, estão na primeira fase.
Num meio social, os controles de crescimento são histórico-culturais (ex: a Revolução Industrial na Europa, no século XVIII), sócio-econômicos (quanto maior o padrão de vida, isto é, a escolaridade, a renda, a condição médico-sanitária menor é o crescimento vegetativo) e tecnológicos (vacinação em massa acabou com o equilíbrio natural do período primitivo, pois diminui a taxa de mortalidade).
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
Para avaliar as condições de saúde (através da mortalidade infantil e da expectativa de vida), de escolaridade (pelo nível de alfabetização e de acesso ao ensino médio e superior) e de renda (mais o poder de compra dos salários do que a renda per capita) a ONU, por intermédio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) formulou o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No ano de 1999, estabeleceu-se novo critério de avaliação, considerando menos a renda individual aplicada em educação e saúde e mais quanto o Estado investe nestes setores. Em face disso, o Brasil que estava em 68o lugar, em 1998, passou para 79º, enquanto Cuba que estava em 85o mudou para o 58º.
Os indicadores sociais de saúde, educação e renda, divulgados pela ONU anualmente, revelam as disparidades sociais e econômicas entre os países ricos e pobres: de um lado, os países da América Anglo-Saxônica (Canadá e Estados Unidos em 1o e 3o lugares), da Europa Ocidental e Austrália- com um alto grau de desenvolvimento humano;e, de outro lado, países da África Subsaariana (ao sul do deserto do Saara, com exceção da África do Sul) com os mais baixos graus de desenvolvimento humano.
Características Econômicas da População
População Ativa/Inativa (Economicamente)
População Ativa Segundo o Sexo
O aumento da participação do trabalho feminino que vem ocorrendo nas últimas décadas, é conseqüência de uma série de fatores conjugados: urbanização, aumento dos serviços urbanos, crise econômica, redução do salário real. O setor terciário é o que mais utiliza o trabalho feminino, sobretudo os serviços domésticos, educação, saúde (enfermeiras, domésticas, professoras, recepcionistas, etc.), com níveis de remuneração mais baixos que outras atividades.
Distribuição Setorial da População Ativa
As atividades econômicas são classificadas em três setores: o primário, o secundário e o terciário.
• Setor Primário: abrange a parcela da população ativa que trabalha no campo, (agricultura, pecuária e extrativismo).
• Setor Secundário: engloba todos os trabalhadores das indústrias.
• Setor Terciário: abrange o conjunto da população que se dedica à prestação de serviços.
As Diversidades da população
O estudo da estrutura da população pode ser dividida em três categorias:
Número, sexo e idade dos habitantes;
Distribuição da população economicamente ativa;
Distribuição da renda;

A pirâmide de idades

A pirâmide de idades é um gráfico quantitativo que expressa o numero de habitantes, sua distribuição por sexo e por idade.
Sua simples visualização nos permite tirar algumas conclusões referentes a taxa de natalidade e a expectativa ou esperança de vida da população. A base larga indica que nasce muita gente, ou seja, que a taxa de natalidade é alta. O topo estreito indica uma pequena participação percentual de idosos no conjunto total da população. Alta taxa de natalidade e baixa expectativ
a de vida são característica do subdesenvolvimento. Ao contrario, se a pirâmide apresentar certa proporcionalidade, da base ao topo, podemos concluir que a população recenseada apresenta baixa taxa de natalidade e alta expectativa de vida, que são característica de desenvolvimento econômico e social.
Quando observamos uma pirâmide de idades, é necessário ter em mente, ainda, a historia da população recenseada para que se conheça a causa de alguma aparente anomalia no gráfico.
Se um país ou região qualquer passar por um período em que ocorra grande entrada ou saída de pessoas, a forma da pirâmide também se altera.

A PEA e os setores de atividades econômicas

É considerada população economicamente ativa apenas a parcela dos trabalhadores que fazem parte da economia formal, ou seja, que possuem carteira de trabalho registrada ou exercem profissão liberal, participando do sistema de arrecadação de impostos. Quando os índices de desemprego se elevam, há uma tendência geral de rebaixamento dos salários, decorrentes da maior oferta de mão-de-obra disponível no mercado. Ao contrario, em situações de crescimento econômico associado a maior oferta de postos de trabalhos, há uma tendência geral de aumento salarial.
Os dados censitários de população não-ativa, além dos jovens e dos aposentados, costumam incluir também os trabalhadores subempregados. Assim, nos países desenvolvidos, onde os índices de subemprego são normalmente baixos, o percentual da PEA no conjunto total da população está muito próximo da realidade do mercado de trabalho e situa-se em índices que beiram os 50%.
Nos países subdesenvolvidos, onde os índices de subempregos costumam ser muito elevado, o percentual da PEA no conjunto total da população tende a ser mais baixo que a quantidade de pessoas que tem rendimentos.
A população que trabalha, dedica-se a um dos três setores de atividades que compõem a economia: primário, secundário e terciário. No setor primário, as mercadorias produzidas não sofrem alteração e são comercializadas sem passar por nenhum estagio de transformação. No setor secundário, as mercadorias são transformadas ou seja, industrializadas antes de ser comercializadas. Já no setor terciário, não se produzem mercadorias, mas prestam-se serviços em hospitais, escolas, repartições publicas, transportes, energia, comunicações e no comercio.
A divisão dos trabalhadores pelos setores de atividades econômicas nos permite chegar a importantes conclusões sobre a economia de países. Se um numero de pessoas que trabalham no setor primário for elevado, isso indica que a produtividade do setor é baixa. Por outro lado, se o numero for baixo, a produtividade no setor é alta. Podemos afirmar, portanto, que essa região apresenta um setor primário bastante capitalizado, com utilização intensa de adubos, fertilizantes, sistemas de irrigação e mecanização, o que, ao ampliar a produtividade, permite que se utilize um pequeno percentual da PEA no setor. Nos países desenvolvidos, de 3 a 10% da PEA trabalha em atividades primarias.
O índice do setor secundário não reflete a produtividade e o tipo de industria recenseada. Mas, se o setor primário é de alta produtividade, isso indica que a industria do país também predominantemente moderna, já que é ela quem fábrica os adubos, fertilizantes, sistemas de irrigação, máquinas e tratores.
Os países que apresentam elevado padrão de produção industrial ocupam cerca de 20% da PEA no setor secundário da economia.
É o setor terciário, que detém a maior parte da renda nacional e quem trabalha o maior numero de pessoas, já que por ele circulam todas as mercadorias produzidas nos setores primários e secundários da economia. É comum o número do setor estarem acima de 50% da PEA. Nos países subdesenvolvidos, há que se considerar os indicadores de população subempregada vivendo a margem da economia formal e carente de serviços básico, como educação e saúde.

Tradicionalmente, é comum classificarem as atividades secundarias e terciárias como essencialmente rurais. Porém, ante a modernização dos sistemas de transportes e de comunicações ampliaram-se as possibilidades de industrialização do campo e ruralização das atividades tipicamente urbanas, fazendo crescer substancialmente o numero de trabalhadores agrícolas que residem nas cidades.

Situação de aprendizagem 2 - AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS


Para complementar o estudo sobre população é necessário conhecer os movimentos migratórios, suas causas, suas características e conseqüências. Inicialmente vamos lembrar de alguns conceitos.

Migração é todo movimento de população que ocorre no espaço geográfico. Migrante é aquele que realiza o movimento de migração.

Emigração refere-se ao ato da saída de uma região.

Imigração refere-se ao ato da entrada em uma região.

Os deslocamentos populacionais apresentam uma série de causas que poderíamos demonstrar dessa maneira:

*Causas de repulsão – explicam a saída da população – ocorrem nas áreas de emigração

*Causas de atração explicam a entrada da população – ocorrem nas áreas de imigração

Essas causas podem ser:

*Naturais como a desertificação de um local, secas prolongadas, inundações, terremotos... No Brasil podemos lembrar as secas prolongadas que ocorrem no Sertão.

*Políticas/religiosas incluindo guerras civis, revoluções, perseguições religiosas, conflitos separatistas, discriminação com violência (racismo)...

*Econômicas o as de maior importância no caso das migrações internas no Brasil. Inclui a decadência econômica de uma região e o crescimento de outra.

Dinâmica das migrações humanas
Estruturalmente, os países industrializados, via de regra, oferecem melhores condições de vida que os subdesenvolvidos, o que justifica o fato de estes serem áreas de repulsão, enquanto aqueles são de atração demográfica
Conjunturalmente (ou circunstancialmente) quando acontece uma crise de um sistema; como quando os países (mesmo os desenvolvidos) passam por dificuldades econômicas (cíclicas no capitalismo) impõem severas restrições à imigração, para não concorrer com a mão-de-obra nativa.
Os acidentes da natureza, como enchentes, terremotos, erupções vulcânicas, secas, provocam saída de população, especialmente quando a área é pobre e portanto super-povoada.
Há uma relação muito grande entre a mobilidade geográfica das populações, o crescimento demográfico e econômico: quem migra é, de modo geral, mão-de-obra já formada, que trabalha e ganha uma renda e assim forma um mercado de consumo.
Modalidades de movimentos migratórios
As migrações podem ser estudadas sob dois enfoques: quanto ao tempo de duração (podem ser definitivas e temporárias) e ao espaço de deslocamento (externas ou internacionais e as internas, estas podendo ser intra-regionais- quando realizadas dentro das regiões do país, ou inter-regionais- quando feitas de uma região para a outra, no interior do mesmo país).
Há, também, migrações forçadas (como durante as guerras e perseguições políticas), espontâneas (por lazer ou fins religiosos) e controladas (pelo Estado, ora restringindo, ora facilitando os deslocamentos migratórios). Segundo a ACNUR (Comissão das Nações Unidas para os Refugiados) e a Cruz Vermelha Internacional há cerca de 60 milhões de refugiados de guerras, especialmente na África assolada por conflitos tribais.
Migrações quanto ao tempo de duração
a) Migrações definitivas - quando o migrante se estabelece de forma permanente na área para onde se deslocou e daí não sai mais. Os nordestinos do Brasil foram os "candangos" construtores de Brasília e formam grande parte da população periférica da Grande S.Paulo e do Grande Rio (na Baixada Fluminense).
Migrações temporárias - podem ser:
- diárias ou pendulares - As migrações pendulares recebem esta denominação pelo fato de se manifestarem pelo grande movimento diário de trabalhadores da periferia (subúrbios) para a área central da cidade de manhã, invertendo-se o movimento à tarde, quando retornam para suas casas. Constituem-se, portanto, numa dinâmica de migração centro - periferia.
Simultaneamente às migrações pendulares, acontece na área central um movimento de curta duração e muita agitação, de manhã e de tarde, chamado de turbulência (ou "rush"). As migrações pendulares têm sua intensidade condicionada ao tamanho das grandes cidades, fazendo com que se valorize mais o solo urbano na área central e forçando os trabalhadores a residirem cada vez mais longe nas "cidades-dormitórios" ou satélites, aumentando o tempo de duração deste movimento centro« periferia.
-sazonais que dependem das estações do ano como nas épocas de colheitas,onde são contratados bóias frias que saem bem cedo de suas casas na periferia da cidade para trabalhar no campo e só voltam no final da tarde. Outro exemplo é a transumância que ocorre no nordeste brasileiro onde durante as secas prolongadas, o sertanejo deixa sua casa no sertão semi-árido e vai para cidades maiores, normalmente no litoral para trabalhar e só retorna quando volta a chover no sertão.
- por tempo indeterminado - São típicos movimentos temporários de população o turismo (objetivos: lazer e cultura); peregrinação religiosa, etc.
O nomadismo é mais um modo de vida, em vias de desaparecimento, do que propriamente uma migração. É típico das áreas semi-áridas do Sahel (S do Sahara) e do centro-oeste da Ásia e no Oriente Médio.
O nômade e sua família acompanham o gado em busca de pastos, na medida em que estes escasseiam, vivendo, pois, em tendas desmontáveis. No caso do Oriente Médio os nômades são comerciantes, estabelecendo-se provisoriamente perto de comunidades com suas feiras - tão logo o mercado esteja abastecido, mudam de lugar.
No sul da Europa, o pastor acompanhava o rebanho entre 2 áreas complementares, enquanto sua família é sedentária. Esta migração sazonal devia-se ao fato de que no inverno as pastagens alpinas estão cobertas de neve, ficando difícil alimentar o rebanho ovino; em face disto, o pastor dirigia-se para o sopé dos Alpes, onde neva menos e assim os pastos não ficam permanentemente nevados, deixando sua família mais acima.
- Migrações quanto ao espaço de deslocamento das populações - podem ser externas e internas.
Migrações externas (ou internacionais) ocorrem quando as populações transpõem as fronteiras entre países. A emigração e a imigração, em verdade, são duas etapas de um mesmo movimento - a de saída (emigração) do país de origem, e a de entrada (imigração) no outro de destino.
Essa dinâmica de mobilidade muda de acordo com a época e os fatores de atração e expulsão.
A Europa no século XIX foi um continente de emigração, em virtude do alto crescimento vegetativo da população, das revoluções liberais e nacionalistas (como na Alemanha e Itália em seu movimento de unificação), da falta de terras e empregos.
De 1950 a 1970 desenrolou-se a "era de ouro" das migrações externas. Com a reconstrução econômica pelo Plano Marshall, a Europa Ocidental tornou-se uma área de imigração de africanos e asiáticos (onde estava havendo a descolonização), como, por exemplo, de marroquinos e argelinos para a França (tendo como porta de entrada a Espanha, de indianos para a Inglaterra. Para a Alemanha foram atraídos os  turcos e gregos.
Depois de l970, com uma crise geral de recessão e desemprego decorrentes da Revolução técno-científica e do neoliberalismo, providenciaram-se medidas restritivas à imigração a fim de não concorrer com mão-de-obra nacional.
Os EUA são um país essencialmente de imigração. Lá ingressaram cerca de 40 milhões de europeus, os latino-americanos e asiáticos.
Com a recessão a partir da década de 70 adotou-se uma legislação restritiva à imigração. A partir de 1/4/97 quem não tiver o "green card" poderá ser expulso do país.
O Oriente Médio antes das crises do petróleo, na década de 70, era uma área de emigração; com os aumentos vertiginosos deste combustível naquela década tornou-se uma área de imigração de muçulmanos do N da África e do S da Ásia. Atualmente, com a queda e estabilização da cotação mundial do petróleo, com os conflitos (Guerra do Golfo, Israel x palestinos) é área de emigração novamente, como dos curdos (perseguidos pelos turcos e iraquianos), dos palestinos e dos libaneses.
A Europa Oriental, a CEI e certos países subdesenvolvidos são áreas de emigração de mão-de-obra qualificada ("fuga de cérebros").
A África Ocidental atraia, com suas plantations,as populações do Sahel, que dali saíam em face das secas e fome.. Atualmente está havendo emigrações daí para as áreas petrolíferas da Nigéria.
Hong Kong atraiu chineses, mas a partir de 1 de julho de l997, ao sair da Comunidade Britânica e voltar à soberania chinesa, está havendo emigração de empresários para a Inglaterra e Austrália.
Migrações internas - dentre elas destaca-se o êxodo rural, migração campo cidade, que pode ser tanto intra (dentro) como inter-regional (de uma região para outra).
No século XVIII, com a primeira fase da Revolução Industrial na Inglaterra, ocorreram os "cercamentos" no campo, decorrendo o êxodo rural, o que era bom para a burguesia, pois a mão-de-obra tornou-se abundante e barata. Atualmente, nas áreas centrais (Europa Ocidental, América Anglo-Saxônica e Japão) praticamente não se efetua esta migração campo-cidade, pois são muito industrializadas e urbanizadas (cerca de 80% da população é urbana). Já nos países subdesenvolvidos, em especial os industrializados da América Latina, acentuou-se o êxodo rural após a II Guerra Mundial (ex.: o Brasil tinha 69% de população rural, hoje está em torno de 24%).
Quanto aos fatores de expulsão da migração campo cidade, constatamos o seguinte:
Nas áreas desenvolvidas a expulsão demográfica de populações rurais deveu-se à adoção de novas tecnologias, em especial a mecanização em face da própria dinâmica do mercado interno, vitalizando as inter-relações campo-cidade nos países centrais pela Revolução Agrícola.
Nos países periféricos em geral, deve-se ao baixo padrão de vida dos camponeses (dificuldade de acesso à escola, a tratamento médico e de saneamento básico, além da renda baixa), visto que a maioria dos que migram são pequenos proprietários, que não contam com o apoio governamental (para a melhoria de técnicas agrícolas através de empréstimos subsidiados) e não conseguem concorrer com grandes proprietários.
Quanto aos fatores de atração demográfica, observa-se o seguinte:
Nos países desenvolvidos a industrialização abriu oportunidades de empregos nas cidades; quem recebe salário, torna-se consumidor de produtos de lojas, armazéns, lazer, criando-se um mercado interno cada vez mais dinâmico.
Nos países periféricos, o que estimula a população rural vir para a cidade é a influência dos meios de comunicação, como a televisão, mostrando suas ruas asfaltadas e iluminadas, suas escolas, áreas de lazer. Como quem migra é um deserdado e excluído, diz-se que o êxodo rural é uma transferência da pobreza do campo para a cidade.
Consequências gerais da mobilidade espacial das populações
Quando grupos humanos migram, ocorre um processo de ocupação, povoamento e organização do espaço geográfico. No local de destino desses grupos pode haver outros povos. Quando se efetuam contatos entre povos afins étnica e culturalmente, simplesmente os grupos migrantes se adaptam ao novo meio social, se entrosam e há uma miscigenação étnica e cultural. Pode, também, acontecer uma difusão cultural (em que a cultura superior predomina sobre a inferior) ou a formação de quistos raciais em "ghettos" (não-assimilação dos grupos em contato social e cultural devido a preconceitos de cor, ou cultura, ou profissão- atualmente os imigrantes exercem, via de regra, funções não qualificadas).
Há uma perda de mão-de-obra qualificada, ou "fuga de cérebros" , de certos países subdesenvolvidos, mas especialmente da Europa Oriental e Rússia, acarretando prejuízos para os países de emigração, pois arcaram com os custos de formação da mesma.
Sob a alegação da perda de identidade nacional e, notadamente, em função da competição da mão-de-obra imigrante com a local, surgem grupos neonazistas xenófobos e racistas, avessos a estrangeiros (ex.: holligans, skinheads na Europa Ocidental) e a restrição à imigração nas fronteiras (ex.: latino-americanos e asiáticos nos Estados Unidos, africanos e asiáticos na Europa). Os espanhóis constroem atualmente um muro entre Ceuta e Melila (suas possessões em Marrocos) para dificultar a ida de africanos para a União Européia.
Geralmente as imigrações apresentam o sentido de direção dos países ou regiões mais pobres para as mais ricos. Sendo assim, está ocorrendo a remessa de poupança desses imigrantes para os seus países de origem. Na década de 70, tal remessa orçava em torno de US$ 5bilhões; em 1995, foi em torno de US$ 75 bilhões. Patenteia-se tal fato pelos dekasseguis (brasileiros filhos de japoneses que estão no Japão trabalhando) e pelos turcos da Alemanha, mandando dinheiro para suas famílias nos países de origem.
Parte desses migrantes o ilegais. o tem permissão para entrada e permanência. Sua situação irregular faz com que aceitem péssimas condições de trabalho e salários de exploração, além de o terem acesso à saúde pública e a reclamações trabalhistas porque, afinal, estão irregularmente estabelecidos. Isso não ocorre somente na Europa ou nos EUA. Aqui, no Brasil, temos como exemplo os imigrantes bolivianos, ilegais, explorados em longas jornadas de trabalho com baixos salários em oficinas de confecção na cidade de São Paulo.
Podemos também lembrar da discriminação, perseguição e até assassinatos de estrangeiros em países europeus, envolvendo grupos minoritários de postura muito radical e ideologias totalitárias, configurando a chamada Xenofobia.


IMIGRAÇÃO NO BRASIL

Atualmente o número de imigrantes que entram no Brasil e fixam moradia aqui é reduzido, compensado e até ultrapassado pelo número de brasileiros que se deslocam para trabalhar e/ou morar em outros países. Mas o Brasil já foi um importante país imigratório, principalmente no período entre 1850 e 1934.
Nesse período podemos identificar uma série de acontecimentos que contribuem para essa entrada de imigrantes no Brasil:

-leis que restringiram e eliminaram a  escravidão  o Brasil:
*Eusébio de Queirós 1850 proibição ao tráfico de escravos
*Ventre Livre 1871 liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir da data de sua promulgação
*Sexagenários 1885 liberta os escravos com mais de 60 anos
*Áurea 1888 libertação dos escravos
-crescimento da cafeicultura, necessitando de mais mão-de-obra
-crises econômicas e políticas na Europa, estimulando a saída de sua população

A partir de 1934, com a Lei de quotas restringindo a entrada dos imigrantes, com a crise na cafeicultura e, mais tarde, a Segunda Guerra Mundial e a recuperação econômica na Europa, diminui a entrada de imigrantes no Brasil. Nas últimas décadas temos recebido principalmente sul- americanos, africanos e asiáticos. Observe os principais grupos de imigrantes que vieram para o Brasil:

*portugueses em grande número se distribuíram por várias regiões do país, especialmente no Sul e Sudeste, em atividades urbanas (comércio e indústria). Vale lembrar também dos portugueses na Campanha Gaúcha desenvolvendo a pecuária extensiva nas estâncias;

*italianos destacaram-se na Região Sul (Vale do Tubarão, no sul de SC, e Serras Gaúchas Caxias do Sul, Garibaldi, Farroupilha, Flores da Cunha, Bento Gonçalves) com a produção de uva e vinho, e principalmente em o Paulo, como mão-de-obra assalariada na cultura de café no oeste paulista e na capital e região do ABC no setor industrial;
*espanhóis entram no Brasil principalmente no século XX, concentrando-se nas Regiões Sudeste e Sul em atividades do comércio e indústria;

*alemães entram em pequeno número no Espírito Santo e o Paulo e em maior número na Região Sul (Joinvile, Vale do Itajaí, Serras Gaúchas e proximidades de Porto Alegre). Desenvolvem atividades de policulturas e criação em pequenas e médias propriedades e pequenas produções industriais caseiras;

*japoneses sua primeira entrada no Brasil ocorre em 1908 e concentram- se principalmente no período entre 1920 e 1934. Dirigem-se para a Amazônia iniciando os cultivos de juta e pimenta-do-reino, para o oeste paulista (Marília, Bastos e Tupã) com atividades ligadas à granjas, algodão e sericicultura, para o Vale do Ribeira (chá e banana), para o Vale do Paraíba (arroz e hortifrutigranjeiros) e arredores da capital paulista (o chamado cinturão verde com a produção de hortifrutigranjeiros).

Além desse grupos podemos mencionar a entrada de imigrantes eslavos (principalmente no Paraná), sírios, libaneses, turcos, judeus, asiáticos do extremo oriente, e reduzidas presenças de franceses, holandeses e até norte- americanos.


2- Situação de aprendizagem 3 -  O MUNDO ÁRABE E O MUNDO ISLÂMICO

O Império Árabe teve sua formação a partir da origem do islamismo, religião fundada pelo profeta Maomé. Antes disso, a Arábia era composta por povos semitas que, até o século VII, viviam em diferentes tribos. Apesar de falarem a mesma língua, estes povos possuíam diferentes estilos de vida e de crenças.
A civilização Islâmica nasceu na Arábia, península de 3 milhões Km². Localizada no Oriente Médio, possui um clima seco e muito quente.
Antes do surgimento do Islamismo os árabes eram politeístas, e a principal cidade dos islamitas é Meca, além de ser um grande centro comercial, por causa das feiras ali presentes.
É o lugar onde se encontra o templo Caaba. Dentro dele estava guardada a venerada Pedra Negra, que nada mais era que um meteorito.
Arábia pré-islâmica
Os beduínos eram nômades e levavam uma vida difícil no deserto, utilizando como meio de sobrevivência o camelo, animal do qual retiravam seu alimento (leite e carne) e vestimentas (feitas com o pêlo). Com suas caravanas, praticavam o comércio de vários produtos pelas cidades da região. Já as tribos coraixitas, habitavam a região litorânea e viviam do comércio fixo.
Expansão do islamismo e a formação do império
Foi após a morte do profeta, em 632, que a Arábia foi unificada. A partir desta união, impulsionada pela doutrina religiosa islamita, foi iniciada a expansão do império árabe.  Os árabes foram liderados por um califa, espécie de chefe político, militar e religioso.
O Islamismo teve seu início marcado pelo o que ocorreu com Maomé, quando esse meditava no monte Hira. Maomé ouvira o anjo Gabriel dizer que havia um único Deus, Alá, e um único profeta, Maomé. Depois que foi aceito pelos seus parentes, começou a disseminar suas ideias e a pregar.
No ano de 630, Maomé invadiu Meca, matou seus opositores, destruiu as imagens de Caaba e, assim, esta foi denominada a cidade oficial do Islamismo.
Islamismo quer dizer submissão a Deus. Para Maomé, o homem deveria submeter-se totalmente às vontades de Deus. O adepto ao Islamismo é chamado islamita ou mulçumano.
Práticas religiosas do Islamismo
- Orar cinco vezes por dia sempre com a cabeça voltada em direção a Meca.
- Jejuar durante o ramadã.
- Dar esmolas de acordo com o que possuir.
- Visitar Meca pelo menos uma vez na vida.
- Participar da guerra santa para propagar o Islamismo.
Os seguidores do alcorão, livro sagrado,  acreditavam que deveriam converter todos ao islamismo através da Guerra Santa. Firmes nesta crença, eles expandiram sua religião ao Iêmen, Pérsia, Síria, Omã, Egito e Palestina. Em 711, dominaram grande parte da península ibérica, espalhando sua cultura pela região da Espanha e Portugal. Em 732, foram vencidos pelos francos, que barraram a expansão deste povo pelo norte da Europa. Aos poucos, novas dinastias foram surgindo e o império foi perdendo grande parte de seu poder e força.
Expansão da cultura árabe
Durante o período de conquistas, ampliaram seu conhecimento através da absorção das culturas de outros povos, levando-as adiante a cada nova conquista. Foram eles que espalharam pela Europa grandes nomes como o de Aristóteles e também outros nomes da antiguidade grega. Eles fizeram ainda importantes avanços e descobertas médicas e cientificas que contribuíram com o desenvolvimento do mundo ocidental.
No campo cultural, artístico e literário deixaram grandes contribuições. A cultura árabe caracterizou-se pela construção de maravilhosos palácios e mesquitas. Destacam-se, nestas construções, os arabescos para ilustração e decoração. A literatura também teve um grande valor, com obras até hoje conhecidas no Ocidente, tais como: As mil e uma noites, As minas do rei Salomão e Ali Babá e os quarenta ladrões.

Fonte:
www.suapesquisa.com (mundo árabe e mundo islâmico)
www.brasilescola.com (mundo árabe e mundo islâmico)